Posted on / by João Carlos / in Pais e Filhos

A relação mais primitiva que existe: Mãe-Bebê

De cara, vamos falar sobre uma frase dita por aquele que é considerado uma referência no assunto na relação mãe-bebê, o pediatra e psicanalista Donald Woods Winnicott (1896-1971). Boa parte de seus conceitos diz respeito ao “desenvolvimento emocional primitivo”, cujos efeitos se refletem substancialmente na vida psíquica do indivíduo por toda a vida.

Ela afirma que “não existe tal coisa chamada bebê”.

Como assim? O que ele está querendo dizer? Ele está dizendo que o bebê não existe por si só, que, necessariamente, é preciso considerá-lo ligado a outra pessoa, como parte, nunca sozinho, ou seja, não há bebê sem uma mãe!

Essa forma de existir é chamada díade, e um dos elementos é definido a partir da sua relação com o outro. É como num casal, você não pode ser namorado ou namorada e ponto final, é preciso ter alguém mais para que o namoro possa existir – mas a ligação entre mãe e bebê é ainda mais profunda.

Sobre essa relação, Winnicott afirma de modo quase poético que “o precursor do espelho é o rosto da mãe”, em outras palavras, o bebê enxerga a si mesmo a partir da pessoa que está ao seu redor, inicialmente, e só com o tempo e cuidados adequados ele irá se perceber enquanto um indivíduo, com a noção de “eu” que nós temos.

É importante destacar que a mãe, nessa visão, não é necessariamente a mãe biológica. Essa figura pode ser representada por outro ser humano, desde que seja capaz de oferecer carinho, segurança e alimento.

A mãe, movida pelo seu amor quase que patológico à prole, é capaz de se identificar à criança ao ponto de até perder o interesse por ela próprio, abdicar do seu próprio self (eu).

É por conta disso que nós vemos, muitas vezes, mães que “esquecem” a sua individualidade por algum tempo, deixando de lado a boa alimentação, o descanso e os cuidados pessoais.

A essa capacidade da mãe é dado o nome de preocupação materna primária.

Graças a tamanha identificação, ela consegue sentir o que seu bebê está precisando, lendo perfeitamente os sinais, como sons e expressões, que para outras pessoas não possuem significado. Sua capacidade de se identificar com o bebê é uma condição fundamental para formar, nele, a  base do sentimento de ser “eu”.

João Carlos da Silva – CRP 11/13861

CEO e Fundador do Portal Crescer e Amadurecer. É apaixonado por psicologia e comportamento humano, sendo grande estudioso do tema Desenvolvimento Emocional Primitivo. Psicólogo, 37 anos. Casado, três filhos e mora em Parnamirim/RN. Três coisas dão razão de existir: Deus, minha família e a psicologia infantil. Você também pode me seguir no Instagram @crescer_e_amadurecer

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